sábado, dezembro 16, 2006

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Jetzinho descarado


Nos eventos do Jet Set, que são promovidos pelas revistas a qualquer pretexto - que existe sempre mas que é completamente acessório - a nata da nossa sociedade não tem sequer paciência para disfarçar a falta de graça de vida que escolheram. Ontem fui a uma antestreia de um filme e foi engraçado ver a quantidade de gente que se levantou antes da película chegar a um terço, quando os flashes já tinham acalmado. Há uns tempos inventaram de dar uma palestra com o nosso Eusébio - a animação era ouvir o Sr. da Bola falar sobre o Euro. Eram três listas infindáveis de convidados, todos escolhidos a dedo pelas mais prestigiadas revistas cor-de-rosa (non-sense). Pois três quartos deles conseguiram picar o ponto com a tremenda coragem de chegar, pousar para os 134 Jornalistas que gritavam "Só mais uma aqui! Agora de lado! Olhe em frente..."e sair, sem sequer esperar pelo orador... Certo, existem coisas mais interessantes para fazer, mas porquê fingir que lá estiveram? Ultrapassa-me. Acho até que devia ser proibido - VIP que é VIP tem que saber fazer o trabalho bem feito! Pelo Direito à transparência da informação da ralé, uma inibição temporária de aparecer em revistas por tempo determinado, por cada ponto picado sem gramar a festinha até ao fim! Jetzinho descarado o nosso...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Quem inventou a Coca-cola estava de ressaca.

domingo, dezembro 10, 2006

Webdings

"If We are what we eat, in my case I´m a sweet - so come and get some...!"
(Jason Mraz)


"If We are what We eat, in my case I´m a sweet - so come and get some"

(Jason Mraz em Webdings)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Santa hipocrisia

Faz-me confusão ler as barbaridades que andam a ser vendidas por aí em relação ao aborto. Não consigo entender que conceito de vida têm aqueles que gritam pelos sete cantos do mundo que uma interrupção voluntária da gravidez é equiparável a um homicídio. Até já tenho ouvido alguns radicais, declararem ser moralmente preferível deixar morrer a mãe se o feto poder ser salvo! Deixa-me a pensar quem é que anda realmente sedento de morte... Mas enfim, não vale a pena discutir fundamentalismos, o cerne da questão está na dificuldade que têm os portugueses (católicos, na maioria) de aceitar a necessidade do sacrifício da vida de qualquer coisa que ainda nem está formada, que não tem qualquer tipo de vontade própria, que é cientificamente provado não ser mais sensível à dor do que qualquer insecto (se é que sente!), em prol do bem-estar de um ser humano - seja lá que tipo de bem-estar for.

Custa-me ver meninos queques a recolher assinaturas pelo "não" à despenalização - que raio de autoridade moral é que têm? Aceitaria bastante melhor a mesma opinião de alguém duma classe baixa porque a despenalização do aborto, na prática, acaba por proteger apenas os mais desfavorecidos. Só estes têm o meu respeito quanto à opinião contrária à minha já que é a eles que está a ser vedado o acesso a centros de saúde para o praticar em condições e são eles que enfrentam a necessidade de porem em causa a sua saúde submetendo-se a cirurgias perigosas, feitas por pessoas incompetentes e em locais sinistros. Depois acontecem os desastres - querendo ou não, muitos lá acabam a cumprir o primeiro requisito do aborto consentido previsto no 142º do código penal : Evitar perigo de morte para a mulher grávida - e lá vão elas de ambulância para o Hospital.
Quem tem dinheiro, pode sempre continuar a recorrer a centros especializados, com todas as condições, regalias e garantias de segurança. Só têm a maçada de assinar um atestado de malformação do feto falsa, dada por um médico verdadeiro, consentindo a interrupção da gravidez, e obviamente, têm que pagar qualquer coisa que não seria viável para todos.
Classes desfavorecidas: olha, atirem-se das escadas!


Quem não quer ter um filho não o tem (felizmente na minha opinião) independentemente da lei em vigor. Resta optar entre dar condições de igualdade a todos os cidadãos ou não.

Venham os betinhos beatos bater a mão no peito - não é difícil perceber porquê, afinal, para estes não há-de vir mal ao mundo se vier alguém a despropósito.

E a vida que existe no útero? E as ondas cerebrais que transmitem? Bull shit - também o vosso hamster emite ondas cerebrais e se alguma vez tiverem que optar entre o vosso bem-estar e o dele, tenho a certeza que não pensam duas vezes.

terça-feira, novembro 28, 2006

O tamanho conta


Demorei uma hora a ir do Camões à Sé porque o nosso Presidente da Câmara estava a inaugurar a chegada do consumismo. Que grande que ele é - parece que o maior da Europa!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Pantone

Isto porque me recuso a assumir que às vezes sou um bocado cinzenta.

Anatomia rodoviária



Senti-me oficialmente perdida quando perguntei a um polícia onde é que estavamos e ele me respondeu:
- Estamos no Rego, menina.
Apeteceu-me concluir:
- Ah, sei, a caminho do Cu do Mundo - mas contíve-me e segui, a medo...

terça-feira, novembro 21, 2006

A saca de orelhas

Sentenças delirantes dum poeta para si próprio em tempo de cabeças pensantes

1
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
0 mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.

2
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.

3
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.

Depois, faz um berreiro.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.

4
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...

Esta deve ser a tua filosofia.

5
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.

Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.

6
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.

É provável que te sintas logo muito melhor.

Sai, então, de baixo da pedra.

7
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.

Mas dá sempre um "Bom dia!" ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.

8
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!

(...)

11
Resume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa



(ALEXANDRE O'NEILL )

quarta-feira, novembro 15, 2006

Vertigem

(imagem do filme Manual do Amor)


É estranho que não consiga abstrair-me da ideia de que vai tudo passar, esmorecer, mecanizar-se e que um dia os gestos vão ser os mesmos, mas a vontade vai ser procurada em vez de escondida. É estranho, principalmente porque sempre vivi sem medo de morrer.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Lichtenstein VS Warhol


















... Andy and I, we will always be mixed up ..."

(Imagem de Roy Lichtenstein)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Limitados Lda

A Preguiça

" A preguiça é a mãe do progresso. Se não fosse ela o Homem não teria inventado a roda - não teria viajado pelo mundo inteiro."

(Mário Quintana)

:)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Fuckafone


"Bem! Estava difícil, já te liguei 3 vezes! Porquê que não atendeste?"

Mas afinal, quem é que pagou o telefone?

Não percebo o que é que leva à maioria das pessoas acharem que há uma obrigação indiscutível de estarmos contactáveis apartir do momento que aderimos a uma rede. Também não entendo o sentimento de culpa que têm, normalmente, aqueles que preferiram não atender um telefonema. Mais dificil ainda de digerir é a convicção do rejeitado de que há, concerteza, uma explicação bastante "razoável" para o que aconteceu. Agora, muito para além do alcance da minha capacidade de compreensão, está a necessidade que esse mesmo tem de perguntar ao rejeitador qual foi a razão que levou a tal extremo. É como se fosse absolutamente necessário que, quem teve o desplante de não estar disponivel, invoque uma causa de exclusão de culpa minimamente provável.

Chamem-me o que quiserem - sou careta, mal-encarada, anti-social, isso tudo, mas apartir de hoje têm aqui a minha justificação razoável: se eu não atender é porque não estou para aí virada. Nada pessoal, não é para levar a peito. Simplesmente, assumo o risco daquilo que posso estar a perder e esse é o único preço que acho justo para o caso.

PS: Que fique bem claro que gosto muito de falar com quem falo!

terça-feira, outubro 17, 2006

Desafio

Escada e Rampa da Biblioteca da Faculdade de Letras de Lisboa

Certo. A estética é uma das maiores inimigas da funcionalidade, mas sinceramente... Com os deficientes?!

segunda-feira, outubro 16, 2006

Sou aquilo que só eu sei.
Pareço o que os outros dizem de mim.


(Miguel Torga)

quinta-feira, outubro 12, 2006

sexta-feira, outubro 06, 2006

Manias

Não sei explicar esta minha tendência - desarrumada como sou, tenho a estranha mania de que não consigo estudar se não tiver tudo à minha volta no lugar, meticulosamente arrumado.
Tenho a sensação que é um instinto a ir contra a minha própria natureza... Um contra-senso natural.


(Piet Mondrian)

quinta-feira, outubro 05, 2006

A Acta


- Olá! Por cá a fazer o quê?
– Não me digas nada, vim fazer uma Acta...
– Heish, coitada... A Acta é gordinha?
– Achas?! É muito magrinha! Sem rabo e com muito pouco peito.
- Ah... Estou a ver, muito picuinhas... Muito rigorosa... De cabelo preto muito escorrido, um bocadinho oleoso.
– Exactamente. Usa óculos.
- A que restaurantes é que ela irá?
– Não sei, mas não vai a tascas e quando pede arroz pergunta sempre se é aberto ou fechado.
- Hum... Estou a ver. A Acta é daquelas que se tropeça, fica muito corada e olha muito à volta para ver se alguém reparou.
- E que espirra para dentro. Tchim.
- Acho que a vi uma vez, com uma amiga, no Duq´s. Estava a beber um tango, porque só consegue beber cerveja com groselha. Um só, senão fica tonta. Ás vezes também bebe com 7 up.
- Sabes, a Acta, quando chega atrasada ao escritório, vai ter como patrão e diz que vem, eventualmente, se não estiver a atrapalhar, pedir desculpas, nomeadamente, pelo atraso – e ajeita os óculos, devagarinho, enquanto espera pela resposta.
- Normalmente, os atrasos acontecem porque a acta não passa um sinal amarelo. É proibido. E as rotundas fazem-se por fora, mesmo que se queira sair na última saída. A Acta tem que ir dando passagem a quem vai saindo, portanto, as rotundas, fá-las sempre aos soluços. É muito prudente.
- Um dia apanhou uma carroça, numa despedida de solteira duma prima, e foi cantar para o karaoke "La vida locca" do Ricky Martin. Na semana seguinte, não teve coragem de sair de casa.
- E hobbies?
– Sim, é muito certeira, joga às setas.
- Os pais chamavam-lhe um nome que a deixava muito embaraçada, era... Tactinha! Ela respondia sempre com uma tossezinha.
- A acta percebe sempre tudo, não é?
– Ela nunca percebeu muito bem o que é que se ia fazer à feira popular. Mas foi uma vez e andou num carrossel, num unicórnio branco.
- A Acta vai ao cinema, de vez em quando. Na última vez foi ver a música no coração - soube que estavam a passar outra vez e ficou bastante contente.
- Ela faz colecção de qualquer coisa, não faz?
- Sim, de bruxinhas de loiça. Também gosta de ter outros bonequinhos de loiça que não sejam bruxinhas, por exemplo, gosta de receber sapos pequeninos. Tem uma estante cheia de bonequinhos engraçados.
- Ela tem peluches no quarto...
- Tem muito o hábito de escrever a tapar a folha. Apanhou-o no liceu – tinha que estar sempre a tapar o seu teste, não fosse alguém querer copiar.
- Um dia teve uma negativa, a educação visual – nunca teve muito jeito – mas enterrou o desenho no jardim e nunca disse a ninguém. Guardou o segredo a sete chaves.
- Nunca a vi com nenhum homem, será casada?
- Não!
- Tem ao menos algum animal de estimação?
- Não pode... É alérgica...
- A Acta cheira a quê?
- A môfo.

Conversa NIN


terça-feira, outubro 03, 2006

Egoísmo













Ele convida-a para jantar, ela aceita mas não sabe bem o quê, para além do jantar. Não sabe se aceita um nervosismo, se aceita uma sugestão sobre o que vestir, uma frase que escapa ao contrário, um transtorno por falta de assunto, sequer se aceita o logo se vê. Sabe que, provavelmente, nessa noite apenas vai jantar. Ela é muito egoísta.